terça-feira, 22 de março de 2011

Trecho do livro "Como solucionar nossos problemas humanos - As Quatro Nobres Verdades"

A convivência íntima cria oportunidades para que a raiva surja inúmeras vezes num mesmo dia. Assim, para evitar que maus sentimentos se instalem, precisamos lidar com a raiva logo que ela surja em nossa mente. Não esperamos o final do mês para lavar nossa louça diária, pois não queremos viver numa casa suja nem enfrentar um trabalho imenso e desagradável. Da mesma forma, precisamos nos esforçar para limpar a sujeira de nossa mente assim que ela aparecer, pois se permitirmos que se acumule, será cada vez mais difícil lidar com ela e colocaremos em risco nossos relacionamentos. Deveríamos lembrar que cada momento de raiva é também uma oportunidade para desenvolvermos paciência. Um relacionamento cheio de conflitos de interesse é também uma oportunidade inigualável para desgastar nosso auto-apreço e auto-agarramento, as verdadeiras fontes de todos os nossos problemas.

(...) É comum que num grupo de pessoas alguém sempre acuse os outros por tudo o que acontece de errado, embora aquele que mais se queixa seja, em geral, o responsável pela desarmonia. Conta-se a história de uma velha tibetana que discutia e brigava com todos. Ela era tão desagradável que um dia foi expulsa de sua aldeia. Ao chegar num outro lugar, as pessoas lhe perguntaram: "Por que abandonastes tua casa?". Ela respondeu: "Porque o povo da minha aldeia era muito mau e tive que fugir deles". Os que a ouviram não acreditaram que um povo inteiro pudesse ser tão mau e concluíram que o problema estava nela. Temendo que viesse a criar desarmonia entre eles, decidiram também expulsá-la.

(...) a melhor maneira de nos livrarmos de nossos (supostos) inimigos é cortar a raiva pela raiz.
Não devemos achar que essa tarefa é impossível. Confiando em tratamento apropriados, muitas pessoas conseguiram se curar por completo de doenças físicas. Do mesmo modo, é perfeitamente possível erradicar a doença interna, a raiva. como fizeram muitos praticantes do passado. Existem métodos para nos livrar dessa grave delusão, e sua eficácia foi comprovada sempre que foram colocados sinceramente em prática. Assim não há razão para que não funcionem também conosco.

(...) sentir raiva não resolve nada e só cria mais sofrimento para nós e para os outros, devemos nos esforçar para pensar de uma maneira mais construtiva.

autor: Geshe Kelsang Gyatso, ed. Tharpa Brasil

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Yoga e romance

O Yoga é como todos os outros relacionamentos: quanto mais você se esforça para dar certo, mais recebe de volta. Na verdade, o compromisso é uma das diretrizes essenciais do caminho yogi. O Yoga Sutra de Patãnjali ensina que para ser um verdadeiro yogi, é preciso ter uma devoção ardente de práticas diárias de asana, pranayama e meditação, bem como as escolhas de estilo de vida disciplinado sobre comer, beber e socializar.


Praticar regularmente pode ser uma regra exigente se você é novo no Yoga. Mas quando estiver experimentando uma sensação de bem-estar, o aumento da flexibilidade será um estímulo nessa etapa. Isso não significa necessariamente que se sinta motivada para se levantar mais cedo para sentar em meditação todos os dias, ou escolher uma seqüência de asanas durante o jantar com os amigos. No momento em que conheci meu marido, ele me fez rir, e depois de cada encontro não podia esperar para vê-lo novamente! Mas demorou um pouco para sentir o tipo de “até que a morte nos separe”, ou seja, o compromisso que temos agora. Ter essa sensação no começo de namoro teria sido estranho, assustador, intenso e inadequado.


O nome em sânscrito para o compromisso com a prática do Yoga e tapas, que geralmente é traduzido como “disciplina”. Mas é uma disciplina de opção, não algo para forçar a si mesmo em um ritmo anormalmente rápido. Seu relacionamento com o Yoga pode ser como um romance que primeiro acende uma chama em seu coração, depois consome todo o seu tempo, e um dia você assume como o papel de companheiro ao longo da vida.


Cindy Lee - Yoga Journal, ed.44

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Trecho do livro "Caim" de José Saramago

"A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entedemos a ele". pag. 88, ed. Companhia das Letras.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Monja Coen - a mulher nos jardins de Buda

"O que faz certos seres partirem tão cedo em busca da própria vida e outros passarem uma vida inteira com medo de si mesmos? Uns andam com ou sem pernas, rumam se esfolando por caminhos afora, por estradas largas ou vielas escuras. Outros se procuram em espelhos humanos, sua vida em outras mãos, as pernas atrofiadas por falta de uso. É árdua a construção do equilíbrio, é um bater efêmero de asas. Porém, em algum ponto preciso da existência, a aurora do dia e a do eu podem acontecer simultaneamente." (pág. 120)

"Porque, assim como não se escuta o som do coração partindo, não se percebe o momento em que uma parte de nós sai de cena. Impossível! Mas é assim que acontece, pois somos uma legião. Somos muitos seres em um só, muitos atores em busca do bom personagem para nos habitar. A única permanência é a alma, ou seja, o que nos anima a seguir em frente. Se ela entra no outro que surge em nós mesmos, a vida terá novo ciclo de aventuras e possibilidades. Porém, se gruda num dos atores, tudo é devastação, sina a ser carregada."(pág. 140)

trechos do livro: Monja Coen - a mulher nos jardins de Buda. Neusa C. Steiner. Mescla Editorial.

sábado, 11 de dezembro de 2010

De Mudança

Hoje completo 29 anos. Tempos atrás, o Dilson, editor da Sorria, escreveu aqui que aniversários são como um Ano-Novo particular. É a minha definição preferida: um tempo de balanço. De pesar o que passou, o que há, o que está por vir. Dias de inferno astral pra rever as mudanças vencidas e escolher as próximas a enfrentar. Só então, vêm os fogos, daí sim merecidos.
Neste ano, não fiz festa. Dias antes, ao montar a minha lista de feitos e por fazer, fiquei mal. (...)
(...) fiquei desolada ao ver que a tabela do que falta é quase a mesma dos anos anteriores. Desejos e promessas que, passa o tempo, eu não cumpro. (...)
(...) São miudezas e pendências como sair cedo do trabalho, visitar mais minha família, praticar um esporte religiosamente, conviver mais com os amigos. Tudo simples, cotidiano, quase bobo. Por isso mesmo - porque só depende de mim - tão difíceis de mudar. (...)
(...) Vou dizer: o que eu queria de verdade hoje era comemorar não as conquistas, mas meus limites. Pra abandonar essa angústia de achar que não ser tudo aquilo, não realizar todas aquelas coisas, é um sinal de fracasso. Pensando bem, talvez a  maior mudança que eu precise fazer em mim mesma seja a do olhar.
Daí, quem sabe, consigo entender, sem frustração, que há mudanças impossíveis. Outras têm seu próprio tempo: não cabem agora, mas um dia acontecerão. E há muitas para as quais o desejo é só um pequeno começo: é preciso muito mais esforço e paciência, e ainda assim talvez não funcione de saída. E tudo bem. Dá pra tentar de novo mais ali na frente, de outro jeito. De qualquer forma, nenhuma mudança ou resignação acontece de uma vez só, nem termina em si mesma: manter é tão ou mais difícil quanto começar.

trecho de texto retirado da revista Sorria  nr. 16 - out/nov 2010 de autoria de Roberta Faria.


FELIZ NATAL E FELIZ 2011!!!
MUITO OBRIGADA A TODOS POR NOS ACOMPANHAREM NESSA CAMINHADA!
QUE ESTEJAMOS TODOS EM PAZ, PAZ, PAZ!
NAMASTÊ
Adriana, Karlla e Jucirema.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Uma outra maneira de ver os chakras Parte V (final).

Ajna, Sahashara e a liberdade


É a mente que ao mesmo tempo tem o poder de nos aprisionar e de nos libertar. Por isso que o sexto chakra é chamado de ajna, “chakra do comando”. Quando em contato com o conhecimento de si mesmo e quando desenvolvida uma compreensão sobre si mesmo, sobre o funcionamento da mente, o indivíduo tem a capacidade de ser livre, pois reconhece que não é apenas a personalidade, as latências mentais que são relacionadas aos chakras, mas elas fazem parte de si. O conhecimento de si mesmo é o reconhecimento de que não somos apenas a mente que julga e que anseia por controle, mas somos a consciência que a ilumina e que está acima dela, como o sahashara chakra, que está acima de todos os outros chakras.

Quando reconhecemos isso, nos estabelecemos na nossa própria natureza, que é divida. O ser está liberto. Ele continua conectado com a terra, aterrado e sentindo tudo o que todos os seres humanos sentem, todas as latências dos chakras: medo, ansiedade, raiva. No entanto, ao mesmo tempo, ele sempre reconhece-se como o todo, como pura Consciência que ilumina todos os aspectos de si mesmo, que é a causa, que está na base e acima de todas as suas tendências como ser humano. Mas ele está liberto, pois não se identifica com elas, apenas as reconhece. E ri. O sábio ri de si mesmo, dos outros e das armadilhas que a mente constrói para nos aprisionar. Mesmo que essa armadilha seja tentar controlas os chakras.

O sábio, em realidade, está consciente dos chakras e das suas influências sobre si mesmo, pois os chakras são os nossos condicionamentos, as nossas emoções, o nosso corpo. Ele, porém, reconhece-se como o ser que observa e que está fora da influência dos chakras. O sábio está livre das suas influências, positivas ou negativas.
por Ricardo Freitas e Tales Nunes.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Uma outra maneira de ver os chakras Parte IV

Vishuddha e o alinhamento dos Chakras.



Dentro da interpretação que propomos, o alinhamento dos chakras pode ser pensado como o próprio alinhamento pessoal. Como a busca pelo agir correto. Arjuna, o protetor do dharma na Bhagavad Gita, carrega em seu nome o nobre significado da palavra, “alinhado”, “reto”. Estar alinhado significa sermos Arjunas, estarmos comprometidos com o agir correto, com a retidão. Quando comprometidos com os valores universais, não apenas as nossas ações, mas as nossas palavras são um reflexo destes valores.
Alcançar essa retidão faz parte de um intenso processo de purificação (Vishuddha chakra significa “grande purificador”), de deixar para trás o que não precisamos. Viveka (questionamento) e Vairagya (desapego) são essenciais nesse processo. Cada vez mais atenção é necessária em direção ao nosso dia a dia. A prática principal não é feita de olhos fechados ou com a atenção fixa em alguma parte do corpo, mas com a atenção plena nas pequenas ações diárias. Para isso, refletir, questionar, para se lembrar o que é mais importante na vida e desapegar para simplificar, para não se perder no caminho, são qualidades fundamentais.
Questionamento e desapego são precisos para que possamos trilhar o caminho do autoconhecimento. É o questionamento que nos torna capazes de nos refletirmos, de refletirmos sobre nós mesmos. Apenas quando estamos alinhados é que podemos ter a paz e a tranqüilidade necessárias para escutar os ensinamentos dos mestres e a partir disso refletir e posteriormente colocar em prática o que foi escutado e apreciado.
Quando o Vishudha está em desequilíbrio é dito que sentimos conflito de auto-imagem, dificuldade em expressar o que pensamos e sentimos, ganância, insensatez, negatividade. Se observarmos com cuidado veremos que esses são vrttis de pessoas que são divididas, que mentem, que negligenciam a verdade e que agem em desacordo com os valores universais. Acreditamos que isso seja uma simbologia de que precisamos trabalhar a retidão. Assim adquirimos o que é dito como as características positivas do chakra: capacidade de reflexão, criatividade, receptividade, expressão, intuição, magnetismo, compreensão do subconsciente e assim usamos a nossa energia para estar atento e nos mantermos no caminho ao autoconhecimento
Apenas uma mente tranqüila é capaz de olhar para si mesmo com compaixão para reconhecer o apego, o medo, o desejo, a raiva, e aceitar que tudo isso faz parte do seu ser, mas a pessoa não é apenas esses aspectos. Em si jaz um ser liberto, pleno e completo. Somos seres que temos, como o Ganesha nas suas representações, um pé tocando o chão, outro fora dele. Um em contato com o mundo da matéria e o que há de mais denso no universo: apego, medo da morte, desejo de controlar o mundo exterior; o segundo que simboliza a nossa conexão com o divino, com a consciência sutil que é a causa de todo o universo e que é refletida no que temos de mais sutil em nós, a nossa mente. A nossa mente, por meio da consciência, ilumina o mundo ao nosso redor e elimina a nossa ignorância sobre ele, sobre nós e sobre a existência.

por Ricardo Freitas e Tales Nunes