domingo, 13 de maio de 2012

Gheranda Samhita II

32 Asanas fundamentais do Gheranda Samhita

Modelo: Prof. Monica Vidigall

1- Siddhasana (postura perfeita)

O praticante que tenha dominado as suas paixões deve sentar: colocar o calcanhar esquerdo em contato com a região do períneo e o calcanhar direito em contato com os genitais. Realizar jalandhara bandha. Permanecer imóvel e com a coluna alinhada. Fixar os olhos no ponto entre as sobrancelhas. Esta postura é utilizada para a prática de pranayamas e meditação e conduz a libertação.

Sidhasana - vista de frente
Sidhasana - pernas e pés
Sidhasana - vista lateral



2- Padmasana (postura de lótus)

Sentado: Colocar o pé direito sobre a coxa esquerda e o pé esquerdo sobre a coxa direita - pés próximos das virilhas. Manter a coluna alinhada, olhos fechados e direcionados para o ponto entre as sobrancelhas ou ponta do nariz.
Podemos realizar uma variação: cruzar os braços atrás das costas e segurar os Hálux (dedos maiores dos pés) com indicador e médio das mãos. Manter a coluna alinhada. Realizar jalandhar bandha e fixar os olhos na ponta do nariz.
Esta postura cura todas as enfermidades.

Padmasana - vista de frente
Padamasana - pernas e pés
Padmasana - vista lateral


3- Bhadrasana (postura do bem estar)

Sentado: Aproximar sola dos pés e encostar os calcanhares dos órgãos genitais. Entrelaçar os dedos das mãos nos dedos dos pés. Manter a coluna alinhada. Realizar jalandhara bandha e fixar os olhos na ponta do nariz.
Esta postura tonifica os nervos, músculos e sistema circulatório do períneo e dos órgãos genitais do homem e da mulher. Ajuda a dissolver a rigidez das articulações coxo-femural, joelho e tornozelo.
Esta postura cura todas as enfermidades.

Bhadrasana - vista de frente
Bhadrasana - pernas e pés
Bhadrasana - vista lateral

4- Muktasana (postura de liberação)

Apoiar a cabeça sobre o solo e estirar os braços à frente, tocando o solo com o dorso das mãos. Manter o corpo reto e alinhado. Esta posição é denominada Muktasana ou a posição livre e conduz ao siddhi ou poder psíquico.

Muktasana - vista lateral

5- Vajrasana (postura do raio)

Sentado sobre os calcanhares. Juntar as coxas, apertadas como um diamante, mas os pés afastados.
Esta postura proporciona siddhi. É considerada uma postura mágica porque tem o poder de afastar as más vibrações, tanto do praticante quanto do ambiente. Esta postura beneficia a digestão.

Vajrasana - vista de frente
Vajrasana - mãos e pernas
Vajrasana - vista lateral

6- Svastikasana (postura da prosperidade)

Sentado: Pé direito ao lado do quadril e joelho esquerdo flexionado na horizontal com a sola do pé esquerdo escostando na coxa dtireita. Repousar as mãos sobre os joelhos. manter. Manter a coluna alinhada.

Svastikasana - vista de frente
Svastikasana - pernas e pés
Svastikasana - vista lateral


7- Simhasana (postura do leão)

Sentado nos calcanhares que estão voltados para cima por debaixo dos órgãos genitais e com os dedos dos pés no chão. Calcanhares unidos e joelhos afastados (variação com os calcanhares cruzados). As mãos ficam apoiadas nos joelhos. Realizar Jalandhara Bandha. Inspirar profundamente e expirar pela boca, colocando a língua para fora. Procure manter os olhos bem abertos ou direcione sua atenção para o Ajna Chakra (ponto entre as sobrancelhas).
Estique energicamente as mãos e os dedos, enrijecendo os músculos que puder. Seu rosto ficará vermelho e seu corpo, quente. A base da língua se enche de sangue e, consequentemente, de vida. Excelente para revigorar os músculos e órgãos do tórax, bem como do rosto e coluna vertebral. É um bom exercício pelo qual os músculos do pescoço são alimentados de sangue. A garganta e a laringe são beneficiadas com essa massagem especial. A tireóide é estimulada, a secreção salivar se torna completa. Promove uma profunda limpeza na garganta e pode curar amidalites nascentes. Tem um efeito benéfico sobre a voz.

Simhasana - vista de frente
Simhasana - vista lateral
Simhasana - pernas e pés
Simhasana - variação com os pés

8- Gomukhasana (postura da cabeça de vaca)

Sentar no calcanhar esquerdo de forma que seu ânus fique apoiado no calcanhar. Passar a perna direita por cima da coxa esquerda apoiando o pé direito no solo ao lado da coxa esquerda. Nesta posição o joelho direito deve estar exatamente sobre o esquerdo. Sentado nessa posição, eleve o braço direito e leve a mão direita para o meio das costas. A mão esquerda vem por baixo e se encontra com a mão direita no meio das costas. Conserve o corpo firme e o abdômen retraído.
Essa postura melhora a circulação das axilas, tonifica os tecidos dos pés, joelhos e cintura. Favorece a circulação e fortalece os músculos, tendões e ligamentos dos joelhos e das pernas. Melhora a tividade circulatória dos pulmões.
Ajuda a aliviar as dores nas costas, e pode afastar a sensação de fraqueza, fadiga e falta de apetite. Reduz a azia. Exerce ainda uma ação particular sobre o períneo, a próstata e os genitais do homem e da mulher. Sua prática regular combate o mais frequente distúrbio sexual masculino - a ejaculação precoce.

Gomukhasana - vista frontal
Gomukhasana - vista lateral
Gomukhasana - vista posterior

9-Virasana (postura do herói)

Sentado. Leve o pé direito para o lado esquerdo do quadril e a perna esquerda passa por cima da perna direita levando o pé esquerdo ao lado direito do quadril. Os joelhos ficam alinhados a partir do solo. Entrelace os dedos das mãos e faça como se segurasse o joelho que está por cima - no caso, o joelho esquerdo. Manter a coluna reta e alinhada e os braços e ombros relaxados.

Virasana - vista frontal
Virasana - vista lateral
Virasana - pernas e pés

10- Dhanurasana (postura do arco)

Deitar em decúbito ventral (barriga para baixo). Segurar o dorso dos pés com as respectivas mãos. Afastar o máximo os calcanhares do quadril, ao mesmo tempo em que retira o peito do solo - fazendo um arco.
Esta postura produz a distensão total das glândulas, plexos e órgãos anteriores, enquanto comprime veementemente os posteriores. Sua atuação no abdômen, no sistema renal e órgãos sexuais é enorme.
A postura completa exige o afastamento dos joelhos - o máximo possível. A retro-flexão do tronco deve ser feita de forma lenta. A posição correta é conseguida conservando-se os braços estendidos.
Podemos experimentar uma variação na qual balançamos o corpo pra frente e pra trás - como uma cadeira de balanço. A coluna é intensamente ativada fortalecendo os músculos profundos e superficiais ao longo da mesma.
Angústias, insônias, inquietação, inseguranças e neuroses são combatidas com o arco completo.
Todas as enfermidades do aparelho digestivo, urinário, genital, respiratório e circulatório são eficazmente combatidos com esse poderoso asana. Ativa o funcionamento do fígado, rins, bexiga, órgãos genitais e outras vísceras abdômen e pélvicas. É profilático em relação à formação de cálculos renais e vesícula biliar. Tem efeito sobre as hemorróidas, a falta de apetite (anorexia), a flautulência e a halitose (mau hálito).
Este asana não deve ser praticado pelos pacientes portadores de hérnia de disco intervertebral.

Dhanurasana - vista lateral

11- Mritasana / Shavasana (postura do cadáver)

Deitar em decúbito dorsal (barriga para cima), com os braços relaxados ao longo do corpo. Nenhuma parte do corpo deve fazer o menor movimento - nenhuma tensão é necessária. Deixe completamente de lado todos os seus problemas e fique atento ao momento presente - a sua respiração. Esta postura deve ser adotada sempre que você estiver tenso ou ansioso, seja tensão física ou mental.

Mritasana / Shavasana
Mritasana / Shavasana

12- Guptasana / Karnapindasana (postura oculta)

Deitar em decúbito dorsal. Levar os pés atrás da cabeça e, em seguida aproximar os joelhos das orelhas. manter os braços estendidos na direção contrária.

Guptasana / Karnapindasana - vista lateral
Guptasana / Karnapindasana - vista posterior

13- Matsyasana (postura do peixe)

Deitar em decúbito dorsal (barriga para cima), estender as pernas e manter os pés unidos e em ponta. Afastar o alto das costas do solo e apoiar o alto da cabeça no solo. Os braços devem permanecer ao longo do corpo no solo (apoiar os cotovelos no solo). Podemos realizar uma variação: A partir da posição sentado com as pernas cruzadas (postura padmasana), inclinar o tronco lentamente pra trás até encostar o alto da cabeça no solo. As mãos podem ficar sobre a região pélvica ou os braços estendidos para trás.
Esta postura alivia a prisão de ventre e tonifica todas as áreas da medula, incluindo os centro sexuais. Beneficia as mulheres ao normalizar as funções uterinas. Tonifica os pulmões e os músculos do peito. Favorece a circulação da garganta. A prática regular conserva uma coluna forte e ereta, mesmo na velhice. Útil na diabetes, regulando o metabolismo geral.

Matsyasana - vista lateral
Matsyasana - vista lateral
Matsyasana - posicionamento da cabeça
Matsyasana - variação com pernas cruzadas
Matsyasana - (variação) pernas e pés

14- Matsyendrasana (postura de matsyendra)

Matsyendra era o nome de um grande Yogi Hindu cuja postura favorita recebeu seu nome.
Sentado. Levar o pé direito para o lado esquerdo do quadrl. Passar o pé esquerdo para o outro lado do joelho direito. Mão esquerda vai para trás (fica na região lombar ou apoiada no solo) e o braço direito passa estendido pela frente da perna direita, podendo apoiar a mão direita no solo ou segurar o pé direito.. Essa postura atua de maneira notável nos discos intervertebrais, estando assim indicado para combater "bicos-de-papagaios" e outros males da coluna. Para portadores de enfermidades sérias na coluna esse asanas só deve ser praticado com aconselhamento médico. Jamais force demasiadamente a coluna durante a torção. Aguarde pacientemente que ela vai adquirindo, com o tempo, flexibilidade.
Uma variação mais simples dessa postura pode ser realizada sentando-se com as pernas cruzadas - postura simples. A partir dessa postura levar a mão direita para trás, na linha do cóccix e passar a mão esquerda pelo joelho direito - braço esquerdo esticado. Torcer o tronco pela direita.

Matsyendrasana - vista de frente
Matsyendrasana - vista lateral
Variação simples
Matsyendrasana - vista de frente
Matsyendrasana (variação) - vista lateral
Matsyendrasana (variação) - detalhe das pernas e pés

15- Paschmottanasana (postura da pinça / extensão do dorso)

Sentado com as pernas estendidas a frente e os pés unidos. Paschmottanasana quer dizer distensão posterior. Deslize as mãos, apóie os cotovelos no solo e faça uma pinça nas laterais dos pés. Uma variação muito utilizada é envolver os hálux com os indicadores e médios de cada mão, flexionando so cotovelos lateralmente. Podemos, também, passar as mãos por cima dos dedos dos pés.
Auxilia o praticante que sofre de prisão de ventre a regularizar o funcionamento dos intestinos. Beneficia todas as glândulas endócrinas e também ajuda a cessar a ansiedade e as perturbações do fígado.

Paschmottanasana (vista lateral)
Pashmottanasana (posição inicial)
Pashmottanasana (posição intermediária)
Paschmottanasana (pegada pinçando os pés lateralmente)
Paschmottanasana (pegada envolvendo os hálux)
Paschmottanasana (mãos apoiadas no solo ao lado das pernas)


16- Gorakshasana (postura de goraksha)

Sentado na postura de Lótus (padmasana). Levante-se ficando somente com os joelhos apoiados no solo. Leve as mãos ao peito em postura de prece (Pronam Mudra). Esta é a postura "mais que completa" Maha. Podemos utilizar uma variação que chamamos Ardha Gorakshasana: é semelhante a anterior, sendo alterada somente a postura das pernas, colocando somente um dos pés sobre a coxa oposta, a outra perna fica apoiada no solo com o joelho flexionado.
Esta postura tonifica os nervos, músculos e o sistema circulatório do períneo e órgãos genitais do homem e da mulher. Fortalece os ossos, músculos, nervos e artérias dos tornozelos e pés. Melhora a circulação do sistema neuromuscular do reto e períneo.. Capacita o praticante desse asana para a abstinência sexual. Ao mesmo tempo, melhora muito o funcionamento dos órgãos sexuais, no caso daqueles que não estão interessados no celibato. É um dos melhores asanas para desenvolver a capacidade de dirigir a própria libido, sublimando-a ou utilizando-a no ato sexual.

17- Utkatasana (postura elevada / cadeira)

De pé com os joelhos e pés unidos e bem apoiados no solo. Elevar e estender os braços na linha da orelha (ou por trás das mesmas), unindo as palmas das mãos. Flexione os joelhos lentamente como se fosse sentar numa cadeira (60 graus). Procure manter a coluna alinhada e os braços estendidos.
Esta postura beneficia quem tem problema de coluna, melhora o tônus muscular das pernas e dos pés.

Utkatasana (vista lateral)
Utkatasana (detalhe do alinhamento dos braços / orelhas)


18- Sankatasana (postura perigosa / do perigo)

De pé, aproximar os calcanhares ficando na ponta dos pés. Flexionar os joelhos lateralmente e descer até aproximar o períneo dos calcanhares. Apoiar as mãos sobre os joelhos. Postura de equilíbrio.
Podemos realizar algumas variações dos braços e mãos.
Esta postura tonifica os músculos das pernas e coxas e estimula a ascensão da energia Kundalini, ativando o Chakra Básico.

Sankatasana
Sankatasana (variação dos braços e mãos)
Sankatasana (variação dos braços e mãos)
Sankatasana (variação dos braços e mãos)


19- Mayurasana (postura do pavão)

De joelhos. Apóie as mãos unidas no solo com os dedos direcionados para as pernas. Estender as pernas pra trás e leevantá-las. Apoiar o abdômen nos cotovelos. Concentre-se no Ajna Chakra (ponto entre as sobrancelhas). Podemos utilizar uma variação mantendo os dedos dos pés no solo. Outra variação consiste em elevar apenas uma perna de cada vez.
Esta postura beneficia o pâncreas, estimula os intestinos preguiçosos, previne e cura a diabetes. Não deve ser praticada por pessoas hipertensas ou com problemas cardíacos.

20- kukutasana (postura do galo)

Sentado com as pernas cruzadas em Padmasana. Coloque os braços entre as coxas e os joelhos e, com as mãos no solo, suspenda o corpo.
Fortalece a musculatura que envolve a cintura escapular e o cotovelo. Enrijece o abdômen.

21- Kurmasana (postura da tartaruga)

Sentado sobre os calcanhares. Flexionar o tronco a frente apoiando as mãos no solo (uma sobre a outra) e a cabeça sobre as mãos. Podemos utilizar uma variação com os joelhos afastados e os braços estendidos a frente apoiando a testa ou uma orelha no solo. Uma outra variação - mais aavançada - sente-se com as pernas afastadas e estendidas para frente e passe os braços por baixo das coxas, com as mãos voltadas para trás.

22- Uttana Kurmasana (postura da tartaruga em extensão)

Uttana (suspenso) com as mãos apoiadas no solo. Suspender as pernas afastadas no ar, próxima das axilas.
Atualmente esta postura é comumentemente chamada de posição do feto ou Garbhasana.

23- Mandukasana (postura da rã / sapo)

Sentado entre os calcanhares tocando os dedos dos pés uns nos outros e mantendo os joelhos afastados a frente do corpo.
Elevar e cruzar os braços atrás da cabeça, por sobre os ombros, nas costas, as palmas tocam no alto das costas e os cotovelos ficam apontados para cima.

24- Uttana Mandukasana (postura da rã / do sapo em extensão)

Sentado sobre os calcanhares com os joelhos afastados e os braços estendidos com as mãos apoiadas no solo atrás dos pés. Deixe sua cabeça relaxada pra trás. Arqueie o corpo afastando o quadril dos calcanhares.

25- Vrikshasana (postura da árvore)
 

Gheranda Samhita

Ásana: descrição das 32 posturas

2:1. Existem oito milhões e quatrocentos mil ásana descritas por Shiva. Existem tantos ásana como criaturas vivas no universo.

2:2. De todos eles, oitenta quatro são os melhores e entre estes, trinta e dois consideram-se úteis para os que habitam este mundo.

2:3-6. Os trinta e dois ásana que proporcionam a perfeição neste mundo material são os seguintes:

1. Siddhásana (postura perfeita)
2. Padmásana (postura de lótus)
3. Bhadrásana (postura de bem-estar)
4. Muktásana (postura de liberação)
5. Vajrásana (postura do raio)
6. Svastikásana (postura afortunada)
7. Simhásana (postura do leão)
8. Gomukhásana (postura da cabeça de vaca)
9. Virásana (postura heróica)
10. Dhanurásana (postura do arco)
11. Mritásana (postura do cadáver)
12. Guptásana (postura oculta)
13. Matsyásana (postura do peixe)
14. Matsyendrásana (postura de Matsyendra)
15. Paschimottanásana (postura da pinça)
16. Gorakshásana (postura de Goraksha)
17. Utkatásana (postura elevada)
18. Sankatásana (postura perigosa)
19. Mayurásana (postura do pavão)
20. Kukkutásana (postura do galo)
21. Kurmásana (postura da tartaruga)
22. Uttanakurmásana (postura da tartaruga em extensão)
23. Mandukásana (postura da rã)
24. Uttanamandukásana (postura da rã em extensão)
25. Vrikshásana (postura da árvore)
26. Garudásana (postura da águia)
27. Vrishásana (postura do touro)
28. Salabhásana (postura do gafanhoto)
29. Makarásana (postura do crocodilo)
30. Ushtrásana (postura do camelo)
31. Bhujangásana (postura da cobra)
32. Yogásana (postura de yoga)

Siddhásana

2:7. O praticante que tenha dominado as suas paixões deve: colocar ocalcanhar (esquerdo) em contacto com o ânus e o outro sobre os genitais.Manter o queixo junto do peito. Permanecer imóvel e com as costas erectas.Dirigir o olhar para o intercílio. Esta postura conduz à libertação.

Padmásana

2:8. Colocar o pé direito sobre a coxa esquerda. E, de forma análoga, o péesquerdo sobre a coxa direita. Cruzar os braços atrás das costas. Segurarcom as mãos os dedos grandes dos pés. Colocar o queixo junto do peito.Fixar o olhar na ponta do nariz. Esta postura cura todas as enfermidades.

Bhadrásana

2:9-10. Colocar os calcanhares cruzados debaixo dos órgãos sexuais. Cruzaros braços atrás das costas. Segurar com as mãos os dedos grandes dos pés.Adoptar jalandarabhanda. Fixar o olhar na ponta do nariz. Esta postura curatodas as enfermidades.

Muktásana

2:11. Colocar o calcanhar esquerdo na base dos genitais. Colocar o direitoem cima dos genitais. Manter costas, pescoço e cabeça alinhados. Esta postura proporciona siddhi.

Vajrásana

2:12. Juntar as coxas, apertadas como um diamante. Colocar as pernas debaixo do ânus (sentar-se em cima dos pés, com os calcanhares separados). Esta postura proporciona siddhi.

Svastikásana

2:13. Colocar cada pé entre os gémeos e a coxa (da perna contrária). Manter o corpo erguido nesta cómoda posição.

Simhásana

2:14-15. Colocar os calcanhares cruzados e voltados para cima por debaixo dos órgãos sexuais. Colocar os joelhos no solo e as mãos apoiadas nosjoelhos. Abrir a boca e efectuar jalandarabhanda. Fixar o olhar na ponta donariz. Esta postura destrói todas as enfermedades.

Gomukhásana

2:16. Colocar os pés no solo com os calcanhares cruzados por debaixo dasnádegas. O corpo deve manter-se firme, com a cara levantada e a bocasaliente. Permanecer sentado tranquilamente. Esta postura faz lembrar ofocinho de uma vaca.

Virásana

2:17. Colocar um pé sobre a coxa oposta. Girar o outro pé para trás.

Dhanurásana

2:18. Estender as pernas no solo, rectas como uma vara. Segurar os dois péscom as mãos, de tal forma que se dobre o corpo como um arco.

Mritásana

2:19. Permanecer deitado de costas no solo, completamente estendido,denomina-se postura do cadáver. Esta postura elimina a fadiga física eacalma a agitação mental.

Guptásana

2:20. Ocultar os pés por debaixo das coxas e dos joelhos. Colocar asnádegas sobre os pés.

Matsyásana

2:21. Adoptar a postura de lótus (sem cruzar os braços por detrás dascostas). Permanecer deitado sobre as costas. Segurar a cabeça entre oscotovelos.

Matsyendrásana

2:22-23. Manter relaxada a região abdominal e as costas. Dobrar a pernaesquerda e colocá-la sobre a coxa direita; depois colocar nesta o cotovelodireito e a cara na palma da mão direita. Fixar o olhar no intercílio. Esta postura denomina-se matsyendra.

Paschimottanásana

2:24. Estender as pernas no solo, rectas como uma vara, sem que oscalcanhares se toquem. Colocar a testa sobre os joelhos. Segurar os dedosdos pés com as mãos.

Gorakshásana

2:25-26. Colocar os pés voltados para cima, entre os joelhos e as coxas.Colocar as mãos abertas ocultando cuidadosamente os calcanhares. Contraira garganta e fixar o olhar na ponta do nariz. Esta postura proporciona otriunfo aos yoguis.

Utkatásana

2:27. Permanecer nas pontas dos dedos dos pés, com os calcanhareslevantados do solo. Colocar as nádegas sobre os calcanhares.

Sankatásana

2:28. Apoiar pé e perna esquerdos no solo. Rodar a perna esquerda com adireita. Colocar as mãos sobre os joelhos.

Mayurásana

2:29-30. Colocar as palmas das mãos no solo. Apoiar o abdómen sobre oscotovelos. Levantar-se sobre as mãos com as pernas no ar, cruzadas emlótus. Esta postura estimula a digestão e elimina as enfermidades abdominais.

Kukkutásana

2:31. Sentar-se no solo com as pernas cruzadas em lótus. Apoiar as mãos nosolo introduzindo os braços entre as coxas e os gémeos. Levantar-se emequilíbrio sobre as mãos, suportando o peso do corpo com os cotovelos.

Kurmásana

2:32. Cruzar os calcanhares debaixo dos órgãos sexuais. Manter alinhadas ascostas, cabeça e pescoço.

Uttanakurmásana

2:33. Adoptar kukkutásana (postura do galo). Segurar o pescoço com as mãos. Erguer-se, alongar-se como uma tartaruga.

Mandkukásana

2:34. Colocar os pés para trás com os dedos dos pés tocando-se. Joelhospara a frente (bem afastados).

Uttanamandukásana

2:35. Colocar-se em mandukásana (postura da rã). Sustentar a cabeça comos cotovelos. Alongar o corpo como uma rã.

Vrikshásana

2:36. Manter-se de pé sobre a perna esquerda. Colocar o pé direito sobre acoxa esquerda. Permanecer erecto como uma árvore plantada no solo.

Garudásana

2:37. Pressionar as coxas contra o solo. Manter o corpo firme com as mãos sobre os joelhos.

Vrishásana

2:38. Colocar o ânus sobre o calcanhar direito. Cruzar a perna esquerda sobre a direita. Colocar o pé esquerdo ao lado da perna direita.

Salabhásana

2:39. Colocar a boca [queixo] junto ao solo. Colocar as palmas das mãos no solo, à altura do peito. Levantar as pernas à altura de um cotovelo.

Makarásana

2:40. Colocar a boca [queixo] e o peito em contacto com o solo. Estender eseparar (amplamente) as pernas. Segurar a cabeça com os braços. Esta postura aumenta o calor corporal.

Ushtrásana

2:41. Colocar a boca [queixo] junto ao solo. Dobrar as pernas para trás. Agarrar os pés com as mãos. Contrair fortemente os músculos abdominais e a boca.

Bhujangásana

2:42-43. Colocar a metade do corpo, desde o umbigo até aos pés, no solo. Apoiar as palmas das mãos no solo. Levantar a cabeça e a parte superior docorpo, como uma serpente. Esta postura aumenta o calor corporal e elimina todas as enfermidades. Com a sua prática desperta-se a kundalini.

Yogásana

2:44-45. Girar os pés para cima e colocá-los (cruzados) sobre os joelhos. Colocar as mãos no solo, com as palmas voltadas para cima. Fixar o olhar na ponta do nariz.




Traduzido pelo praticante e professor português de Yoga Gustavo André Cunha. O email do Gustavo é cunhagustavo@gmail.com.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Uma breve explicação... Advaita Vedanta, Shankara, Brahman, Atman e outros.

"Esta pura consciência não nasce, nem morre, não cresce, nem decai. É o principio cognitivo, auto evidente, espontâneo que tudo ilumina com seu brilho".
Trecho extraído da obra Drk Drsya Viveka de autoria de Shankara.

Shânkara (c. 788820) foi um metafísico e monge errante indiano. Foi o principal formulador doutrinal do Advaita Vedânta, ou Vedânta não-dualista. Segundo a tradição, foi uma das almas mais excelsas que já encarnaram neste planeta, chegando a ser considerado uma encarnação de Shiva. Sua vida encontra-se envolta em mistérios, prodígios e lendas que a tornam semelhante à de outros insignes mestres espirituais da humanidade, como Jesus e Maomé. Outras grafias do seu nome são: Sankaracharya, Sancaracarya, Shankaracharya, Sankara, Adi Sankara, Adi Shankaracharya ou Adi Shankara, também chamado de Bhagavatpada Acharya (que significa "o Mestre aos pés do Senhor").
Escreveu profundos comentários sobre os Upanishades, o Bhagavad-Gita e outros livros da sabedoria hindu.

Os escritos de Sankaracharya têm uma grande lucidez e profundidade, penetrante insight e grande habilidade analítica. Apesar disso, sua abordagem dos temas é mais religiosa e psicológica do que puramente lógica, o que o torna, na apreciação contemporânea, mais um grande reformador religioso do que um filósofo. Sua obra trai um grande conhecimento do saber Bramânico ortodoxo da época, bem como do Budismo Mahayana. Muitas vezes tem sido criticado como um Budista disfarçado, pela similitude de sua doutrina com aquela do Buda. Mesmo assim, combateu muitos pontos da doutrina Budista ou adaptou-os à sua interpretação advaíta do Vedanta.

Na época de Sankaracharya o Hinduísmo havia degenerado sob a influência do Budismo e do Jainismo. Sankaracharya enfatizou a importância dos Vedas, reabilitando o Hinduísmo. Sua teologia sustenta que a ignorância espiritual (avidya) é causada pela visão de um eu onde não existe eu algum.
Sankaracharya propôs que embora o universo dos fenômenos seja de fato experimentado, não obstante ele não é a verdadeira realidade. Não renega o universo, mas diz que a verdade derradeira é Brahman, que está além do tempo, do espaço e da cadeia de causação. Apesar de ser a causa eficiente do universo, Brahman não se encontra limitado por esta sua autoprojeção, transcendendo toda dualidade ou pares de opostos (donde o termo advaíta, ou não-dual). O indivíduo deve entender sua verdadeira natureza e ser, que não é a mudança e a mortalidade, mas sim a beatitude eterna. Para compreendermos o verdadeiro móvel de nossos atos e pensamentos devemos despertar para a unidade do ser. Já que a mente limitada do indivíduo não pode abarcar o Eu universal ilimitado, a mente individual deve ser transcendida para conseguirmos a união com a consciência universal.

O Advaita e seu fundador
O Advaita Vedanta é uma doutrina filosófica hindu centrada na noção de não-dualidade (a, “não”, dvaita, “dual”) entre o mundo e o absoluto, e na consciência de que a única coisa que realmente existe é Brahman. Além de negar a realidade autônoma do mundo fenomênico, o Advaita defende que não existe uma real oposição entre o Eu e Brahman, sendo eles um único ser. Sua origem estaria nos ensinamentos de Gaudapada, mas, de fato, é com Shankara que o Advaita é fundamentado e consolidado. Muitos ocidentais, assim como inúmeros indianos, consideram Adi Shankara como o maior dos filósofos hindus. É comparado por muitos autores a Platão, Santo Tomás, Espinosa e Hegel (GATHIER, 1996:61) em função da profundidade e estilo de sua metafísica.

Brâman ou Brama (em sânscrito brahman, forma masculina e neutra de ब्रह्म, brahma) é um conceito do hinduísmo; o termo designa o princípio divino, não-personalizado, e neutro do bramanismo e da teosofia. Não deve ser confundido com Brahma, que juntamente com Vishnu e Shiva formam a trindade clássica hindu.
Na teosofia, brâman é o "Absoluto", o "Espírito Divino e Infinito" que emana de Parabrahman no início de um novo ciclo de manifestação (chamado Mahamanvantara). Portanto, é a origem e raiz de toda a consciência que evolui neste mundo. Para o hinduísmo, esta evolução ocorre por sucessivas encarnações, doutrina esta que é chamada de metempsicose.
A metempsicose hindu fundamenta-se em dois conceitos principais:
  • Samsara - significando que a realidade é considerada como um evoluir fenomênico;
  • Karma - que denota a conexão entre os atos no mundo fenomênico.
Este mundo fenomênico é entendido como ilusório e a origem de todo o sofrimento humano.
Assim, no hinduísmo, a libertação deste ciclo de sofrimento é concebida como uma absorção no absoluto (Brahman ou Parabrahman), chamada nirvana. Assim, o brâman é considerado a origem e o fim de tudo.

Brahman no Advaita Vedanta

De acordo com a linha filosófica de advaita vedanta, conforme estabelecida por Shankara e fundamentada em preceitos de advaita-vada ancestrais e seguindo a tradição védica, o brâman é tudo o que existe e nada pode existir além do brâman, portanto ele é a Verdade Absoluta, ou a Realidade Suprema, que envolve, absorve e harmoniza todos os conceitos duais.

A entidade viva em avidya ("ignorância") se considera diferente do Brahman devido aos seus conceitos de aham e mamata, "ego" e "egoísmo", que desaparecem através de jñana ("filosofia"), que promove vidya ("sabedoria" ou "ciência") e que leva ao moksha ("liberação"), eliminando o samsara, ou ciclo de nascimentos e mortes.

O Atma ou Atman (sânscrito: आत्म ) Termo filosófico do hinduísmo, especificamente do Vedanta e usado para identificar a alma individual, ou "verdadeiro eu," traduzido como "Eu" em maiúsculo, para dar um caráter divino à alma individual, pois segundo o Advaita Vedanta o atma é idêntico ao Absoluto, ou Brahman e está além da identificação com a realidade fenomenal da existência mundana.

Wikipédia

quarta-feira, 7 de março de 2012

Essa tal felicidade...


Aquilo que você procura
está em casa mesmo:

e, no entanto, você vaga de floresta em floresta

cheio de pesar...

KABIR
            Será que nós conseguimos aquilo que queremos da vida? Existe amor suficiente na nossa vida? Será que estamos nos transformando em bons seres humanos? Nós nos sentimos conectados às pessoas ou nos sentimos isolados e com medo? Sejam quais forem as respostas a essas perguntas, a questão em torno da qual tudo gira é a seguinte: será que nós realmente acreditamos em um caminho a ser seguido que vai nos trazer mudança? Se ele não existir, então estamos empacados neste lugar. Como uma pessoa pobre que mora em uma cabana construída em cima de um tesouro enterrado, nós nos limitamos por aquilo que acreditamos a respeito de nós mesmos.

            Nossos sistemas de crenças podem mudar de duas maneiras. A primeira é quando entramos em contato com algo ou alguém que parece ter o que estamos procurando. Nós recebemos um impulso daquela pessoa ou coisa e então podemos começar a procurar. A outra maneira é quando nossa infelicidade se torna tão pesada que já não conseguimos aguentar a dor. Algo precisa ser feito. Isso nos força a sair da prisão das nossas próprias crenças para procurar um meio de apagar o fogo.

            Certa vez, uma revista de música veio me entrevistar. O repórter me perguntou o que eu achava dos grandes astros do rock que estavam fazendo ioga e meditação – seria só moda? Eu respondi: “Não. É exatamente o contrário. Eles são os reis e as rainhas deste mundo. Eles têm o poder de satisfazer seus desejos a um ponto que está além dos nossos sonhos mais malucos. Se estão fazendo ioga, cantando mantras e meditando, é porque chegaram ao limite da satisfação de seus desejos e viveram a experiência direta de que isso não basta”. Essa é a verdadeira sabedoria. Esses astros do rock foram até o limite e, para alguns deles, a verdadeira sabedoria nasceu. Eu acho isso extraordinário.
trecho do livro Cantar para Viver de Krishna Das. ed. Realejo