domingo, 4 de março de 2012

Nirvana Shatkam

mano-buddhyahankara-chittani naham
na cha shrotra-jivhe na cha ghrana-netre
na cha vyoma-bhumih na tejo na vayuh
chidanandarupah shivo ham shivo ham 1

Não sou mente nem razão, não sou ego nem consciência;
não sou audição, nem paladar, olfato nem visão;
não sou espaço nem terra; não sou luz nem ar.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.

na cha pranasañjño na vai pañchavayuh
na va saptadhaturna va pañchakoshah
na vak panipadau na chopasthapayu
chidanandarupah shivo ham shivo ham 2

Não sou o que se conhece como energia, nem os cinco alentos vitais;
nem os sete elementos, nem os cinco corpos;
não sou fala, nem mãos ou pis; nem sexo nem eliminação.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.


na me dvesha-ragau na me lobha-mohau
mado naiva me naiva matsaryabhavah
na dharmo na chartho na kamo na mokshah
chidanandarupah shivo ham shivo ham 3


Não tenho apego nem aversão; nem ambição, nem ilusão;
orgulho e inveja não são meus;
não tenho deveres, nem objetivos, nem desejos, nem busco a libertação.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.

na punyam na papam na saukhyam na duhkham
na mantro na tirtham na veda na yajïah
aham bhojanam naiva bhojyam na bhokta
chidanandarupah shivo ham shivo ham 4


Não sou virtude, nem erro; nem alegria nem sofrimento;
nem os mantras, nem os lugares sagrados; nem as escrituras, nem os rituais;
não sou o prazer, nem o que produz o prazer, nem aquele que o desfruta.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.

na me mrtyushanka na me jatibhedah
pita naiva me naiva mata na janma
na bandhurna mitram gururnaiva shishyah
chidanandarupah shivo ham shivo ham 5

Não sou morte nem medo; não tenho classe social;
nem pai, nem mãe, nem nascimento são meus;
não tenho parentes nem amigos; nem mestre nem discípulos.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.

aham nirvikalpo nirakara-rupo
vibhurvyaapya sarvatra sarvendriyanam
sada me samatvam na muktirna bandhah
chidanandarupah shivo ham shivo ham 6

Sou imutável, sem estrutura nem forma;
não sou escravo dos sentidos. Permeio todo o existente.
Sou o todo. Estou além dos condicionamentos e da libertação.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.

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Tradução por Pedro Kupfer.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quantos Yogas existem?

Ouvimos dizer, e às vezes repetimos um pouco sem pensar que há muitas " formas" de Yoga: Jñana Yoga, Karma Yoga, Hatha Yoga, Raja Yoga, etc. Assim, o Yoga do Conhecimento seria adequado para pessoas com uma disposição natural para o estudo, enquanto que o Yoga da Ação seria conveniente para pessoas pragmáticas, o Yoga "físico" estaria indicado para pessoas inquietas enquanto que o Yoga "real" seria para gente mais introspectiva, etc.
Esta maneira de classificar e listar "métodos" é arbitrária e equivocada. Não obstante, está muito presente na literatura atual de Yoga. Em verdade, não existem métodos diferentes, mas etapas distintas dentro de um único caminho, que é o processo de crescimento de cada ser humano. Assim, os assim chamados "métodos" são apenas momentos ou fases dentro desse processo maior que podemos chamar vida de Yoga. Somente existe um Yoga. A esse respeito, diz o Rg Veda.

" Ó homem que procuras a verdade e a sabedoria,
abre os braços e deixa que o conhecimento
chegue a ti de todas as partes. A verdade é uma e os sábios irão
ensiná-las de diferentes maneiras".

Por exemplo, na Hatha Yoga Pradipika um guia clássico para a prática do Hatha Yoga de aproximadamente 500 anos atrás, não fica clara a fronteira, se existe uma, entre Hatha e Raja Yoga, embora o texto inicie afirmando que o primeiro, "como uma escada", nos conduz ao segundo. No entanto, da leitura atenta desse guia, é evidente que ambos, Hatha e Raja, são parte do mesmo processo.
Por outro lado, os aparentemente distintos métodos descritos na Bhagavad Gita, Jñana, Karma e Bhakti Yoga, são em verdade etapas dentro do caminho único. O conhecimento me ajuda a ver as coisas como são, o Yoga da Ação a agir cultivando as atitudes adequadas e o Yoga devocional a lidar de maneira ideal com os frutos das ações, dedicando-os a Isvara.

Trecho extraído do artigo "Compreendendo o Bhakti Yoga" por Pedro Kupfer. Cadernos do Yoga 33.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Trechos do livro "Cantar para viver" de Krishna Das

"Começando com a simples repetição, de maneira gradual, porém inevitável, o poder Divino que se esconde no Nome é revelado e assume o caráter de uma elevação do coração que não cessa, que persiste ao longo das distrações da vida na superfície".

Eu adoro esta expressão: "de maneira gradual, porém inevitável". Significa que, mesmo que corramos dentro de um trem da parte da frente até a de trás, na direção oposta ao seu deslocamento, quando ele chegar à estação, nós também chegaremos. Eu passei boa parte da vida correndo na direção contrária, só para descobrir que eu ia dar no lugar certo, de qualquer jeito.
pg. 89

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

FELIZ ANO NOVO!

Feliz Ano Novo a quem não planta corvos na janela da alma, nem embebeda o coração de cicuta e ousa sair pelas ruas a transpirar bom humor.
Feliz Ano Novo a quem cultiva ninhos de pássaros no beiral da utopia e coleciona no espírito as aquarelas do arco-íris. E a todos que trafegam pelas vias interiores e não temem as curvas abissais da oração.
Feliz Ano Novo aos que reverenciam o silêncio como matéria-prima do amor e arrancam das cordas da dor melódicas esperanças. Também aos que recostam em leitos de hortências e bordam, com os delicados fios de sentimentos, alfombras de ternura.
Feliz Ano Novo a quem recolhe cacos de mágoas pelas ruas a fim de atirá-los no lixo do óbvio e guardam recatados os seus olhos no recanto da sobriedade.
Feliz Ano Novo, a quem resguarda-se em câmaras secretas para reaprender a gostar de si e, diante do espelho, descobre-se o belo na face do próximo.
Frei Beto